sexta-feira, 17 de outubro de 2008

Gente enquanto eu não faço nenhum texto meu, vou publicar alguns textos maravilhosos de alguns autores fantásticos!! Aproveitem, pois são brilhantes!!


O Empréstimo
Machado de Assis
Vou divulgar uma anedota, mas uma anedota no genuíno sentido do vocábulo, que o vulgo ampliou às historietas de pura invenção. Esta é verdadeira; podia citar algumas pessoas que a sabem tão bem como eu. Nem ela andou recôndita, senão por falta de um espírito repousado, que lhe achasse a filosofia. Como deveis saber, há em todas as coisas um sentido filosófico. Carlyle descobriu o dos coletes, ou, mais propriamente, o do vestuário; e ninguém ignora que os números, muito antes da loteria do Ipiranga, formavam o sistema de Pitágoras. Pela minha parte creio ter decifrado este caso de empréstimo; ides ver se me engano.
E, para começar, emendemos Sêneca. Cada dia, ao parecer daquele moralista, é, em si mesmo, uma vida singular; por outros termos, uma vida dentro da vida. Não digo que não; mas por que não acrescentou ele que muitas vezes uma só hora é a representação de uma vida inteira? Vede este rapaz: entra no mundo com uma grande ambição, uma pasta de ministro, um Banco, uma coroa de visconde, um báculo pastoral. Aos cinqüenta anos, vamos achá-lo simples apontador de alfândega, ou sacristão da roça. Tudo isso que se passou em trinta anos, pode algum Balzac metê-lo em trezentas páginas; por que não há de a vida, que foi a mestra de Balzac, apertá-lo em trinta ou sessenta minutos?
Tinham batido quatro horas no cartório do tabelião Vaz Nunes, à rua do Rosário. Os escreventes deram ainda as últimas penadas: depois limparam as penas de ganso na ponta de seda preta que pendia da gaveta ao lado; fecharam as gavetas, concertaram os papéis, arrumaram os livros, lavaram as mãos; alguns que mudavam de paletó à entrada, despiram o do trabalho e enfiaram o da rua; todos saíram. Vaz Nunes ficou só.
Este honesto tabelião era um dos homens mais perspicazes do século. Está morto: podemos elogiá-lo à vontade. Tinha um olhar de lanceta, cortante e agudo. Ele adivinhava o caráter das pessoas que o buscavam para escriturar os seus acordos e resoluções; conhecia a alma de um testador muito antes de acabar o testamento; farejava as manhas secretas e os pensamentos reservados. Usava óculos, como todos os tabeliães de teatro; mas, não sendo míope, olhava por cima deles, quando queria ver, e através deles, se pretendia não ser visto. Finório como ele só, diziam os escreventes. Em todo o caso, circunspecto. Tinha cinqüenta anos, era viúvo, sem filhos, e, para falar como alguns outros serventuários, roía muito caladinho os seus duzentos contos de réis.
- Quem é? perguntou ele de repente olhando para a porta da rua.
Estava à porta, parado na soleira, um homem que ele não conheceu logo, e mal pôde reconhecer daí a pouco. Vaz Nunes pediu-lhe o favor de entrar; ele obedeceu, cumprimentou-o, estendeu-lhe a mão, e sentou-se na cadeira ao pé da mesa. Não trazia o acanho natural a um pedinte; ao contrário, parecia que não vinha ali senão para dar ao tabelião alguma coisa preciosíssima e rara. E, não obstante, Vaz Nunes estremeceu e esperou.
- Não se lembra de mim?
- Não me lembro...
- Estivemos juntos uma noite, há alguns meses, na Tijuca... Não se lembra? Em casa do Teodorico, aquela grande ceia de Natal; por sinal que lhe fiz uma saúde... Veja se se lembra do Custódio.
- Ah!
Custódio endireitou o busto, que até então inclinara um pouco. Era um homem de quarenta anos. Vestia pobremente, mas escovado, apertado, correto. Usava unhas longas, curadas com esmero, e tinha as mãos muito bem talhadas, macias, ao contrário da pele do rosto, que era agreste. Notícias mínimas, e aliás necessárias ao complemento de um certo ar duplo que distinguia este homem, um ar de pedinte e general. Na rua, andando, sem almoço e sem vintém, parecia levar após si um exército. A causa não era outra mais do que o contraste entre a natureza e a situação, entre a alma e a vida. Esse Custódio nascera com a vocação da riqueza, sem a vocação do trabalho. Tinha o instinto das elegâncias, o amor do supérfluo, da boa chira, das belas damas, dos tapetes finos, dos móveis raros, um voluptuoso, e, até certa ponto, um artista, capaz de reger a vila Torloni ou a galeria Hamilton. Mas não tinha dinheiro; nem dinheiro, nem aptidão ou pachorra de o ganhar; por outro lado, precisava viver. Il faut bien que je vive, dizia um pretendente ao ministro Talleyrand. Je n'en vois pas la nécessité, redargüiu friamente o ministro. Ninguém dava essa resposta ao Custódio; davam-lhe dinheiro, um dez, outro cinco, outro vinte mil-réis, e de tais espórtulas é que ele principalmente tirava o albergue e a comida.
Digo que principalmente vivia delas, porque o Custódio não recusava meter-se em alguns negócios, com a condição de os escolher, e escolhia sempre os que não prestavam para nada. Tinha o faro das catástrofes. Entre vinte empresas, adivinhava logo a insensata, e metia ombros a ela, com resolução. O caiporismo, que o perseguia, fazia com que as dezenove prosperassem, e a vigésima lhe estourasse nas mãos. Não importa; aparelhava-se para outra.
Agora, por exemplo, leu um anúncio de alguém que pedia um sócio, com cinco contos de réis, para entrar em certo negócio, que prometia dar, nos primeiros seis meses, oitenta a cem contos de lucro. Custódio foi ter com o anunciante. Era uma grande idéia, uma fábrica de agulhas, indústria nova, de imenso futuro. E os planos, os desenhos da fábrica, os relatórios de Birmingham, os mapas de importação, as respostas dos alfaiates, dos donos de armarinho, etc., todos os documentos de um longo inquérito passavam diante dos olhos de Custódio, estrelados de algarismos, que ele não entendia, e que por isso mesmo lhe pareciam dogmáticos. Vinte e quatro horas; não pedia mais de vinte e quatro horas para trazer os cinco contos. E saiu dali, cortejado, animado pelo anunciante, que, ainda à porta, o afogou numa torrente de saldos. Mas os cinco contos, menos dóceis ou menos vagabundos que os cinco mil-réis, sacudiam incredulamente a cabeça, e deixavam-se estar nas arcas, tolhidos de medo e de sono. Nada. Oito ou dez amigos, a quem falou, disseram-lhe que nem dispunham agora da soma pedida, nem acreditavam na fábrica. Tinha perdido as esperanças, quando aconteceu subir a rua do Rosário e ler no portal de um cartório o nome de Vaz Nunes. Estremeceu de alegria; recordou a Tijuca, as maneiras do tabelião, as frases com que ele lhe respondeu ao brinde, e disse consigo que este era o salvador da situação.
- Venho pedir-lhe uma escritura...
Vaz Nunes, armado para outro começo, não respondeu: espiou para cima dos óculos e esperou.
- Uma escritura de gratidão, explicou o Custódio; venho pedir-lhe um grande favor, um favor indispensável, e conto que o meu amigo...
- Se estiver nas minhas mãos...
- O negócio é excelente, note-se bem; um negócio magnífico. Nem eu me metia a incomodar os outros sem certeza do resultado. A coisa está pronta; foram já encomendas para a Inglaterra; e é provável que dentro de dois meses esteja tudo montado, é uma indústria nova. Somos três sócios, a minha parte são cinco contos. Venho pedir-lhe esta quantia, a seis meses, - ou a três, com juro módico...
- Cinco contos?
- Sim, senhor.
- Mas, Sr. Custódio, não disponho de tão grande quantia. Os negócios andam mal; e ainda que andassem muito bem, não poderia dispor de tanto. Quem é que pode esperar cinco contos de um modesto tabelião de notas?
- Ora, se o senhor quisesse...
- Quero, decerto; digo-lhe que se se tratasse de uma quantia pequena, acomodada aos meus recursos, não teria dúvida em adiantá-la. Mas cinco contos! Creia que é impossível.
A alma do Custódio caiu de bruços. Subira pela escada de Jacó até o céu; mas em vez de descer como os anjos no sonho bíblico, rolou abaixo e caiu de bruços. Era a última esperança; e justamente por ter sido inesperada, é que ele supôs que fosse certa, pois, como todos os corações que se entregam ao regime do eventual, o do Custódio era supersticioso. O pobre-diabo sentiu enterrarem-se-lhe no corpo os milhões de agulhas que a fábrica teria de produzir no primeiro semestre. Calado, com os olhos no chão, esperou que o tabelião continuasse, que se compadecesse, que lhe desse alguma aberta; mas o tabelião, que lia isso mesmo na alma do Custódio, estava também calado, girando entre os dedos a boceta de rapé, respirando grosso, com um certo chiado nasal e implicante. Custódio ensaiou todas as atitudes; ora pedinte, ora general. O tabelião não se mexia. Custódio ergueu-se.
- Bem, disse ele, com uma pontazinha de despeito, há de perdoar o incômodo...
- Não há que perdoar; eu é que lhe peço desculpa de não poder servi-lo, como desejava. Repito: se fosse alguma quantia menos avultada, não teria dúvida; mas...
Estendeu a mão ao Custódio, que com a esquerda pegara maquinalmente no chapéu. O olhar empanado do Custódio exprimia a absorção da alma dele, apenas convalescida da queda que lhe tirara as últimas energias. Nenhuma escada misteriosa, nenhum céu; tudo voara a um piparote do tabelião. Adeus, agulhas! A realidade veio tomá-lo outra vez com as suas unhas de bronze. Tinha de voltar ao precário, ao adventício, às velhas contas, com os grandes zeros arregalados e os cifrões retorcidos à laia de orelhas, que continuariam a fitá-lo e a ouvi-lo, a ouvi-lo e a fitá-lo, alongando para ele os algarismos implacáveis de fome. Que queda! e que abismo! Desenganado, olhou para o tabelião com um gesto de despedida; mas, uma idéia súbita clareou-lhe a noite do cérebro. Se a quantia fosse menor, Vaz Nunes poderia servi-lo, e com prazer; por que não seria uma quantia menor? Já agora abria mão da empresa; mas não podia fazer o mesmo a uns aluguéis atrasados, a dois ou três credores, etc., e uma soma razoável, quinhentos mil-réis, por exemplo, uma vez que o tabelião tinha a boa vontade de emprestar-lhos, vinham a ponto. A alma do Custódio empertigou-se; vivia do presente, nada queria saber do passado, nem saudades, nem temores, nem remorsos. O presente era tudo. O presente eram os quinhentos mil-réis, que ele ia ver surdir da algibeira do tabelião, como um alvará de liberdade.
- Pois bem, disse ele, veja o que me pode dar, e eu irei ter com outros amigos... Quanto?
- Não posso dizer nada a este respeito, porque realmente só uma coisa muito modesta.
- Quinhentos mil-réis?
- Não; não posso.
- Nem quinhentos mil-réis?
- Nem isso, replicou firme o tabelião. De que se admira? Não lhe nego que tenho algumas propriedades; mas, meu amigo, não ando com elas no bolso; e tenho certas obrigações particulares... Diga-me, não está empregado?
- Não, senhor.
- Olhe; dou-lhe coisa melhor do que quinhentos mil-réis; falarei ao ministro da justiça, tenho relações com ele, e...
Custódio interrompeu-o, batendo uma palmada no joelho. Se foi um movimento natural, ou uma diversão astuciosa para não conversar do emprego, é o que totalmente ignoro; nem parece que seja essencial ao caso. O essencial é que ele teimou na súplica. Não podia dar quinhentos mil-réis? Aceitava duzentos; bastavam-lhe duzentos, não para a empresa, pois adotava o conselho dos amigos: ia recusá-la. Os duzentos mil-réis, visto que o tabelião estava disposto a ajudá-lo, eram para uma necessidade urgente, - "tapar um buraco". E então relatou tudo, respondeu à franqueza com franqueza: era a regra da sua vida. Confessou que, ao tratar da grande empresa, tivera em mente acudir também a um credor pertinaz, um diabo, um judeu, que rigorosamente ainda lhe devia, mas tivera a aleivosia de trocar de posição. Eram duzentos e poucos mil-réis; e dez, parece; mas aceitava duzentos...
- Realmente, custa-me repetir-lhe o que disse; mas, enfim, nem os duzentos mil-réis posso dar. Cem mesmo, se o senhor os pedisse, estão acima das minhas forças nesta ocasião. Noutra pode ser, e não tenho dúvida, mas agora...
- Não imagina os apuros em que estou!
- Nem cem, repito. Tenho tido muitas dificuldades nestes últimos tempos. Sociedades, subscrições, maçonaria... Custa-lhe crer, não é? Naturalmente: um proprietário. Mas, meu amigo, é muito bom ter casas: o senhor é que não conta os estragos, os consertos, as penas-d'água, as décimas, o seguro, os calotes, etc. São os buracos do pote, por onde vai a maior parte da água...
- Tivesse eu um pote! suspirou Custódio.
- Não digo que não. O que digo é que não basta ter casas para não ter cuidados, despesas, e até credores... Creia o senhor que também eu tenho credores.
- Nem cem mil-réis!
- Nem cem mil-réis, pesa-me dizê-lo, mas é verdade. Nem cem mil-réis. Que horas são?
Levantou-se, e veio ao meio da sala. Custódio veio também, arrastado, desesperado. Não podia acabar de crer que o tabelião não tivesse ao menos cem mil-réis. Quem é que não tem cem mil-réis consigo? Cogitou uma cena patética, mas o cartório abria para a rua; seria ridículo. Olhou para fora. Na loja fronteira, um sujeito apreçava uma sobrecasaca, à porta, porque entardecia depressa, e o interior era escuro. O caixeiro segurava a obra no ar; o freguês examinava o pano com a vista e com os dedos, depois as costuras, o forro... Este incidente rasgou-lhe um horizonte novo, embora modesto; era tempo de aposentar o paletó que trazia. Mas nem cinqüenta mil-réis podia dar-lhe o tabelião. Custódio sorriu; - não de desdém, não de raiva, mas de amargura e dúvida; era impossível que ele não tivesse cinqüenta mil-réis. Vinte, ao menos? Nem vinte. Nem vinte! Não; falso tudo, tudo mentira.
Custódio tirou o lenço, alisou o chapéu devagarinho; depois guardou o lenço, concertou a gravata, com um ar misto de esperança e despeito. Viera cerceando as asas à ambição, pluma a pluma; restava ainda uma penugem curta e fina, que lhe metia umas veleidades de voar. Mas o outro, nada. Vaz Nunes cotejava o relógio da parede com o do bolso, chegava este ao ouvido, limpava o mostrador, calado, transpirando por todos os poros impaciência e fastio. Estavam a pingar as cinco, enfim, e o tabelião, que as esperava, desengatilhou a despedida. Era tarde; morava longe. Dizendo isto, despiu o paletó de alpaca, e vestiu o de casimira, mudou de um para outro a boceta de rapé, o lenço, a carteira... Oh! a carteira! Custódio viu esse utensílio problemático, apalpou-o com os olhos; invejou a alpaca, invejou a casimira, quis ser algibeira, quis ser o couro, a matéria mesma do precioso receptáculo. Lá vai ela; mergulhou de todo no bolso do peito esquerdo; o tabelião abotoou-se. Nem vinte mil-réis! Era impossível que não levasse ali vinte mil-réis, pensava ele; não diria duzentos, mas vinte, dez que fossem...
- Pronto! disse-lhe Vaz Nunes, com o chapéu na cabeça.
- Quer ver?
E o tabelião desabotoou o paletó, tirou a carteira, abriu-a, e mostrou-lhe duas notas de cinco mil-réis.
- Não tenho mais, disse ele; o que posso fazer é reparti-los com o senhor; dou-lhe uma de cinco, e fico com a outra; serve-lhe?
Custódio aceitou os cinco mil-réis, não triste, ou de má cara, mas risonho, palpitante, como se viesse de conquistar a Ásia Menor. Era o jantar certo. Estendeu a mão ao outro, agradeceu-lhe o obséquio, despediu-se até breve, - um até breve cheio de afirmações implícitas. Depois saiu; o pedinte esvaiu-se à porta do cartório; o general é que foi por ali abaixo, pisando rijo, encarando fraternalmente os ingleses do comércio que subiam a rua para se transportarem aos arrabaldes. Nunca o céu lhe pareceu tão azul, nem a tarde tão límpida; todos os homens traziam na retina a alma da hospitalidade. Com a mão esquerda no bolso das calças, ele apertava amorosamente os cinco mil-réis, resíduo de uma grande ambição, que ainda há pouco saíra contra o sol, num ímpeto de águia, e ora habita modestamente as asas de frango rasteiro.

sábado, 20 de setembro de 2008

Políticos Brasileiros




Análise de Capa:

Rafael Cerqueira

Essa revista Veja traz como tema de capa o escândalo do mau uso dos cartões corporativos do governo que ganhou espaço na mídia brasileira esse ano com a demissão da Ministra da Promoção da Igualdade Racial, Matilde Ribeiro.

Muitos aspectos apontados mesmo que subjetivamente na capa fazem relações desse mal uso com o governo do PT e seus constituintes, como se eles fossem os únicos usuários desse cartão e também os únicos culpados. E são esses os aspectos que serão apontados nessa análise.

Primeiro o que mais chama a atenção é a forma como é tratada essa crise. Um cartão retorcido como se fosse um tapete mágico transportando um homem vestido como os personagens Aladim, ou Ali-babá. A forma como o cartão se encontra revela de certa forma a fragilidade do Brasil na questão política e social e o ou os personagens que estão sendo relacionados tem características que foram usadas como críticas aos políticos do PT. Aladim, uma figura aparentemente despreocupada e infantil e Ali-babá, um típico ladrão que se dá bem à custa dos outros.

Essa relação com o PT identificável por conta da presente estrela do partido no pano que cobre a cabeça do político. Apesar da aparente caracterização o terno que é esse associado à figura do político não é descartado, justamente para esse fato não ser descordado. O pé do político em cima do símbolo da Constituição Brasileira mostra a total falta de respeito tida por muitos políticos ao país, porém na revista isso é generalizado.

O fato de um homem público estar viajando pelo céu na capa, foi entendido como uma referência aos políticos que sabem e vêem tudo o que acontece de errado no país, mas não tomam nenhuma atitude para mudar, até pelo fato de estarem em posição privilegiada em relação aos outros, o que pode ser comprovado com a ligeira impressão dos braços cruzados do homem que na verdade estão apoiados um no outro como uma referencia aos personagens encarnados.

O fato da adoção desses personagens árabes, que são sobretudo festivos, é uma critica a forma de agir dos políticos brasileiros - nesse caso principalmente os petistas – que levam toda a situação como se fosse uma grande e interminável festa, o que realmente acontece, mas não de uma forma única, pois existem sim, muito políticos sérios e honestos no país, inclusive no PT, o alvo principal das críticas.

A letra em sim, juntamente com sua cor, forma e tamanho também exprime um significado em relação ao objetivo critico do texto. A frase de destaque “O Mundo Encantado Deles” aparece no texto toda composta por letras maiúsculas em vermelho. Maiúscula para expressar a grandiosidade do problema e vermelho, por ser uma cor ligada geralmente ao pecado, juntamente com o preto, usado logo abaixo, ligado a tudo o que é maléfico a sociedade em geral.

Uma coisa interessante e notável é contraste que surge entra a escolha das cores: vermelho e preto (ligadas muitas vezes ao inferno e ao próprio demônio) e ao espaço adotado na imagem, o céu. Leva a entender que ambos se entrelaçam assim como o bem e o mal que convive nos atos dos políticos.

Para terminar, também uma relação à frase de impacto citada acima. O mundo encantado, um mundo onde tudo é fantasia e tudo pode ser feito. Relação esta, feita com a capital federal, Brasília, um “mundo” onde políticos corruptos fazem o que bem entendem do dinheiro e da vida pública. A diferença é que alguns são punidos, logo depois “perdoados” é verdade, mas punidos.









Mente Masculina.Conseqüências Femininas

Há muito tempo atrás a mulher e tratada como um objeto, como uma “auxiliar” do homem. É claro que como o passar do tempo muitas coisas mudaram, as mulheres conseguiram um espaço maior, mas ainda em pleno século XXI elas continuam sendo tratadas como seres frágeis e incapazes de realizar certas atividades em relação aos homens.
Em qualquer lugar se pode notar a discriminação sofrida pelas mulheres. Comerciais de cerveja na TV as retratam como mercadorias que podem ser entregues com rapidez na casa dos compradores. Um dos poemas recitados na discussão do livro “Preconceito Contra a Mulher”, chamado “Drumundana” de Alice Ruiz diz assim: e agora Maria?O amor acabou, a filha casou, o filho mudou... Por que não poderias ser o contrário, a filha mudou e o filho casou. Nesse trecho é registrada uma relação de independência para o homem e dependência da mulher em relação ao mesmo.
Outra questão que merece destaque é a relação da mulher com o mercado de trabalho. Obviamente hoje elas são mais capacitadas que anos atrás e estão também deixando cada vez mais de serem “apenas” donas-de-casa e rumando para empregos diversos que abrangem várias áreas. Porém, apesar de em muitos casos elas exercerem sua procissão melhor que muitos homens, ainda continuam ganhando muito menos.
A violência contra a mulher é um ato completamente torpe que vai contra a qualquer indicio de decência de um ser - humano. Mesmo assim, muitos maridos, sobrinhos, e filhos espancam sem nenhuma preocupação suas mulheres, tias e mães em lugares totalmente inesperados. Como pode um filho machucar a pessoa que é a responsável pela sua existência, é uma coisa completamente ilógica.
Não se pode esquecer também que a violência física não é a única que a mulher sofre, violência sexual e principalmente verbal são muito comuns. O simples fato de ofender, caluniar uma mulher ou obrigar uma menina a fazer sexo contra a sua vontade é muitas vezes pior que um soco na cara ou um chute na barriga. É importante ressaltar que no Brasil de cada cinco mulheres, uma já sofreu algum tipo de violência física se for contar com os outros tipos de violência esse número aumentará ainda mais.
Falando em Brasil, é extremamente importante dizer que este é um país de homens altamente preconceituosos, que estacionaram suas idéias no milênio passado e passam para as novas gerações, que menino tem que ser “pegador” para ser homem de verdade, já as meninas devem ser “certinhas”, namorarem apenas depois de uma idade definida por eles e se for uma garota também, por que não “pegadora” corre o risco de ser mal-falada pelos outros.
Imagine uma pessoa que seja além de mulher, negra e pobre. Pense o que ela não deve sofrer. O que ela deve passar e enfrentar para viver o dia-a-dia sem abaixar a cabeça. E ainda tem gente que insiste em “proclamar” que a mulher é dependente de uma pessoa que está acima dela, seja nesse caso, um homem, um rico, um branco.
Enfim, apesar de tudo, é óbvio que essa situação permanecerá ainda por muitos anos, até se duvidar para sempre. Mas tudo na vida é incerto menos a morte, e as mulheres como já foi dito estão ganhando cada vez mais espaço. Então o que falta pra elas mostrarem para os homens o que é ser mulher de verdade? Falta que além do crescimento do espaço das mulheres cresçam também a mente dos homens e junto com ela a idéia de que independente de mulher, homem, negro, branco, índio, gordo, magro, enfim, acima de qualquer estado, antes de sermos qualquer coisa somos gente e se somos gente, somos todos iguais, não em físico, condição social, orientação sexual, ou sexo, mas sim em direitos e principalmente deveres.
Rafael Cerqueira

UM PAÍS CHAMADO BRASIL

Análise de jornal:

Matéria: “Brasil já é país de classe média”

Rafael Cerqueira

Segundo uma publicação divulgada pelo jornal eletrônico “Folha Online” o Brasil passou de um país de extremos, composto de pessoas muito ricas ou muito pobres, para uma nação que possui mais da metade da população na classe média.

Ainda, segundo a Folha, são dois os fatores principais para o aumento dessa classe: a melhora no nível de educação, com os alunos permanecendo nas escolas por mais tempo do que no início dos anos 90, e a migração de empregos do mercado informal para a economia formal.

Essa melhora da condição de vida do país pode ser anunciada também em outros fatos. O índice de desenvolvimento humano, por exemplo, O Brasil possui um IDH elevado, atualmente é o 70° da lista dos países com os maiores IDH COM 0.800 pontos numa escala que vai de 0 a 1. Outro indício também é a esperança de vida da população que atualmente é de 72,19 anos.

O Brasil, além disso, é um país muito rico, quando referido ao PIB, que a soma de tudo o que um país produz. Se encontra em 10° lugar no ranking geral, na frente de países mais ricos em termo de qualidade de vida como, por exemplo, Austrália,Itália, Espanha e Canadá.

Porém todos esses e outros dados contrastam, e muito com a realidade do país. Apesar de realmente possuir uma classe média crescente e um poder de compra maior, o Brasil ainda continua sendo “A Terra dos Contrastes”; pessoas muito ricas ainda “dividem espaço” com pessoas muito pobres, a educação ainda continua não sendo de boa qualidade na maioria das escolas públicas; a violência ainda continua atingindo autos níveis de preocupação e gerando cada vez mais vítimas.

Para se ter uma breve idéia da realidade, o Brasil foi considerado o 50° país mais violento do mundo numa lista que contém 140 países. Parece até ser mais violento, por tudo o que se vê por aqui, mas vá saber o que acontece em outros lugares do mundo.

O índice de alfabetização também traz uma informação negativa. Em uma avaliação de 176 países, o Brasil fica em 90°entre os países com maior índice de alfabetização, com 88.4% da população alfabetizada. Ficando atrás de países menos importante economicamente como México, Argentina, Croácia e Venezuela. Isso pode ser explicado, por conta do péssimo ensino oferecido aos estudantes de escolas públicas no ensino fundamental e principalmente ao grande número da população. Mas isso tem algumas controvérsias, a China, por exemplo, com uma população bem maior que a do Brasil fica dez posições a frente na mesma avaliação.

Uma outra coisa que merece ser destacada é a grande desigualdade social brasileira. Em 2005 o Brasil era o oitavo país mais desigual do mundo atrás apenas um país latino-americano e de seis países africanos. Esses dados nos últimos dois anos melhoraram, mas a posição do Brasil ainda não traz nenhum orgulho.

E impossível negar que o Brasil tenha evoluído nesses últimos anos no governo Lula, muito pelo contrário. O próprio aumento da classe média,assunto central da matéria, é uma prova disso. Pessoas estão saindo das classes D e E, partindo rumo a classe C, principalmente. As condições de vida e principalmente do poder de compra da população cresce rapidamente. Compras de essenciais e principalmente de supérfluos tem crescido consideravelmente nas classes mais baixas para a alegria do Capitalismo.

Mas também não se pode negar que todo esse alvoroço precisa ser repensado. Quantos e quantos anos mais “adiantados” poderíamos estar agora. Esse governo realmente foi um bom governo, mas e os outros? Quanto tempo perdemos com um Brasil dominado por uma minoria rica? Quantas favelas contrastam com grandes e imponentes prédios nos grandes centros?

Essas e outras perguntas feitas diariamente somadas a esses e outros índices apresentados a população permite-me perguntar agora a pergunta que queria fazer quando vi o título dessa matéria. Será que realmente podemos comemorar com isso vendo tantos casos de descaso com a população,tantos assassinatos,injustiças,greves,e tantas outras crises que parecem intermináveis? Bem, acho que não!

sexta-feira, 19 de setembro de 2008

O PORTUGUES EM MINHA VIDA

Memorial
Rafael Cerqueira

O português começou a fazer parte da minha vida na fase do Jardim da Infância e alfabetização. Atividades que hoje eu considero, “infantis” demais e até mesmo desnecessárias como cantar músicas com temas relacionados, pintar as letras com materiais diferentes e ouvir histórias formaram a base da minha relação com a língua portuguesa.

Saindo dessa fase e chegando ao ensino fundamental, novas coisas foram surgindo. Nada ainda era muito difícil, mas as coisas estavam começando a evoluir. Como tudo tem seus prós e contras, muitas regras foram surgindo, e junto com elas novas atividades, o que não foi ruim, o ruim mesmo foi eu começar a achar o português uma coisa extremamente chata e regrada.

Ditado de palavras, separação de sílabas, classificação de palavras, enfim. O português é muito abrangente, mas nessa idade eu acreditava que fosse uma matéria limitada e cansativa. Mas essencial, porque sem o português, como eu iria aprender a falar a minha própria língua?

A leitura só começou a fazer parte da minha vida de uma forma mais abrangente também no ensino fundamental, apesar de ter aprendido a ler um pouco antes. Os textos que liam eram adequados a minha idade, como por exemplo, a Turma da Mônica, que era uma leitura bem entretida e que até hoje leio algumas vezes os que guardo dessa época.

Até a quarta série do ensino fundamental, essa foi a maneira com que eu me dava com a língua português, nada com muitas preocupações e dificuldades. Muito pelo contrário, uma coisa bem fácil, e muitas vezes prazerosa através da literatura como já disse.

A partir da quinta série as coisas começaram a ficar um pouco mais complicadas. Até porque foi lá que eu comecei a perceber que o português de uma forma ou de outra é utilizado em todos ou outros ensinos, e também na vida, afinal, eu imaginava, como seria possível alguém viver no mundo de hoje sem ao menos saber ler ou falar direito?!

Nesse período, já um pouco mais ciente, eu comecei a me dedicar mais ao português, era estranho, porque ao mesmo tempo que ele evoluía não deixava de ser uma coisa simples, estava apenas se tornando mais exigente e isso exigia que eu o acompanhasse nessa evolução.
Outras séries do ensino fundamental vieram, novas regras surgiram, novas leituras apareciam, mas parecia que chegara a um ponto que eu não acompanhava mais essa evolução. Não deixava de entender o português como a escola exige, mas cada vez menos estava preocupado em atingir o verdadeiro português que é o que nos faz entender as coisas de uma forma geral, até porque a própria escola não oferecia condições para que isso acontecesse.

Foi nessa época também, mais precisamente no último ano do ensino fundamental que começaram a surgir às preocupações como o que fazer depois que terminasse o segundo grau que estava prestes a fazer. Uma faculdade era o objetivo principal, mas para chegar lá, o português era essencial, principalmente pelo fato da redação. Sempre gostei de escrever, mas a dúvida que eu tinha era se escrevia bem, se conseguia expressar bem as minhas idéias.

Confesso que nunca fui muito de ler bons livros ou belas poesias, o que eu me interessava em ler mesmo eram livros didáticos de geografia. Não que eu não gostasse de ler outras coisas, mas a própria falta de costume me faziam nem lembrar de outros textos, que poderiam ser até mesmo melhores.

A prova que fiz para entrar no CEFET foi um dos primeiros dos muitos momentos de disputa que terei. E mais que isso foi uma forma que tive para verificar o que achavam do que escrevia. Fiz a redação com uma segurança que eu não imaginava ter, porém com um pouco de medo, pois muitos já me disseram que eu escrevo demais, e temia que isso prejudicasse de alguma forma na redação.

Conseguindo o que queria que era passar na prova, uma nova faze da minha vida começou. E o português mais uma vez assumiu novas interpretações de minha parte. Senti a diferença absurda do novo colégio para o outro em relação principalmente no ensino, inclusive no português.

O hábito de ler se tornou mais freqüente, até porque a exigência era maior, para se ter uma idéia, em 2007 tinha lido apenas dois livros durante o ano inteiro, enquanto que esse ano, que ainda não terminou li entre oito e dez livros sem contar os inúmeros textos e poesias propostos. Sei que isso ainda não é suficiente, mas já foi um grande passo.

Creio que com isso, melhorei a minha forma de escrever e expressar minhas idéias. Melhorei também a minha forma de fazer relações do português com outros segmentos diversos. E descobri que o português e a literatura possuem várias formas de serem expostas e não só aquela coisa fechada e formal.


Enfim, foram anos e anos, pelos meus cálculos 10 anos de estudo do português desde o Jardim da Infância, bastante tempo aprendendo e também não aprendendo assuntos do português, regras foi o que não faltaram. E muitos anos ainda terei de estudo do português, mesmo na faculdade, pois como já falei, ele sempre estará presente, mesmo em alguma coisa que aparentemente não o envolva.

Mas mesmo com todos esses anos de estudo, parece que só agora eu consegui aprender que o português é mais que decorar regras e fazer ditados e sim ter capacidade de pensar de verdade o mundo de uma forma geral e coerente, sem influências.

quarta-feira, 27 de agosto de 2008

VIDAS NEGRAS

Rafael Cerqueira
Mote

"As feridas da discriminação racial se exibem ao mais superficial olhar sobre a realidade."
Glosa

Negros, raça especial;
Negros, cultura singular;
Vidas, aprisionadas por brancos;
Forças, reprimidas por grandes;
Sonhos, oprimidos por obstáculos.

Negros, discriminados por muitos;
Muitos que se prendem a regras;
Regras feitas, regras brancas;
Negros, admirados por poucos;
Poucos que se abrem a realidade.

Negros, vidas decididas;
Negros, vidas subjugadas;
Negros que pagam caro por isso;
Negros, que tem suas fés interrogadas.

Negros, sentimentos não-valorizados;
Negros, vontades não-realizadas;
Negros africanos, brasileiros, mundiais.

Negros, em comum, sentimentos;
Negros, em comum, preconceito;
Negros, em comum, sabedoria;
Negros, em comum, vidas.

segunda-feira, 18 de agosto de 2008

O QUE FAZER?

Rafael Cerqueira

O Meio ambiente cada vez mais esta sendo alterado pela ação humana. Queimadas, superpopulação, lixo em excesso, desmatamento. Enfim, uma série de fatores estão sendo apontados como responsáveis por essa grave modificação. Porém, todos já sabem (ou quase todos) que quem provocou a crise que está sendo vivenciada é o próprio homem, o mesmo que aponta os problemas responsáveis.

Esses inúmeros problemas que poderiam ser evitados são conseqüências de anos e anos de exploração do Meio ambiente. Terremotos, ciclones, furacões, mudanças contínuas de temperatura são cada vez mais freqüentes e poderosos. Até mesmo lugares como o Brasil, antes apontados como seguros, como o “paraíso” estão sofrendo com alguns desses acontecimentos.

Mas antes de reclamar das conseqüências é preciso analisar o estopim, o motivo de tanto desequilíbrio. É sede de riquezas, de dinheiro. Muitos países usam e abusam da Terra como forma de prosperar. O choque causado pela poluição das grandes fábricas na atmosfera é aterrorizante, somando a outros quesitos, como a imensa frota de veículos diversos espalhados pelos quatro cantos do mundo e as próprias queimadas, resultaram no que hoje é conhecido como o tão famoso AQUECIMENTO GLOBAL que praticamente já “virou moda”. Aquecimento esse que é apontado como o causador das grandes catástrofes mundiais, atuais e as muitas que ainda virão.

Na cidade de Eunápolis, muito se fala sobre a instalação da Veracel e dos efeitos que ela tem causado no solo da região. Solo antes fértil, segundo muitos está ficando cada vez mais improdutível, além é claro da poluição. Mas é preciso ressaltar também que essa mesma empresa está aumentando consideravelmente a economia da cidade. Então o que fazer? De que lado ficar? Da economia ou da preservação do planeta? Do dinheiro ou da vida?

Bom, há muitos meios de conseguir dinheiro sem interferir tanto no meio-ambiente. Medidas como: produção de energia solar; eólica; substituição do óleo diesel de petróleo pelo o biodiesel; grandes “peneiras” para a “purificação” do ar oriundo das chaminés das grandes fábricas; reciclagem; entre outros, são muito requisitadas. Porém, de nada adianta tanta especulação e idéias sem uma verdadeira ação.

Enfim, é absolutamente preciso saber que a Terra é antes de mais nada nossa casa, nossa e das futuras gerações que estão por vir. Mas para que isso ocorra de forma natural, é preciso o quanto antes que haja atitude não apenas de alguns, mas de todos, ou pelo menos da maioria para não extinguir os estragos que serão provocados, pois isso já não é mais possível, mas para amenizá-los e para melhorar o bem-estar pessoal e coletivo e principalmente o bem-estar do planeta.